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Um Pouco Mais De Música

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sábado, 13 de novembro de 2010

Curiosidade...

A Música no Cristianismo
Por Luiz Lobo



Os primeiros cristãos acreditavam no poder mágico do canto, embora muitos autores neguem que os cristão primitivos cantassem. Pouco se sabe sobre as origens do canto cristão mas há documentos, manuscritos gregos encontrados no Monte Athos revelando uma fórmula musical de bênção com água e azeite para curar febre e afugentar os maus espíritos. E proibindo o canto no culto, por conta das perseguições.

Aproveitando o fato das leis romanas determinarem o respeito absoluto aos túmulos e a proibição de enterrar na superfície, os cristão abriram enormes túneis, suas próprias catacumbas, onde enterravam os mortos e tinham lugar seguro para as suas reuniões.

Todas as cidades do Império Romano tinham catacumbas e as tumbas dos cristãos são fáceis de reconhecer porque eram encimadas pela inscrição XP ou XPTO anagrama de Cristo.

As primeiras músicas, do século IV, são orações cantadas, com forte influência da música hebraica.

No Oriente, sem perseguição, os cristãos cantavam. Plínio escreveu a Trajano contando que em Bitinia os cristãos se reuniam para entoar um Carmem (canto). O apóstolo Pedro chegou a Roma no ano 54 trazendo melodias da Antióquia, no Oriente, onde viveu muito tempo. Melodias que se misturaram aos cânticos sagrados judeus.

A melodia de uma só voz, em uníssono, sem harmonização (monofonia) tinha duas fontes: a hebraica e a grega. No início da era cristã houve a dispersão dos judeus e o antigo canto judaico não foi popularizado. Os primeiros cristãos, todos judeus conversos, é que o mantiveram vivo nas sinagogas.

Com a propagação do cristianismo na Grécia e a adoção do grego como primeiro idioma eclesiástico, a música cristã também recebeu enorme influência grega.

As perseguições aos cristãos fizeram muitos mártires, entre eles alguns músicos como Santa Cecília. Ela era organista e cantava, pedindo proteção para os que a ouviam. Padeceu por sua fé, foi morta no ano 230 e, mais tarde, foi canonizada. No local da casa em que nasceu, no Trastevere, ergueu-se a Igreja de Santa Cecília. Ela é a padroeira dos músicos (e seu dia é comemorado em 22 de novembro). Ela dá seu nome à Academia de Música do Vaticano, criada pelo Papa Pio IX em 1847 e inspirou Purcell e Händel em seus oratórios.

O Cristianismo tornou-se religião oficial do Império Romano em 323. Mas a música da comunidade cristã não saiu das catacumbas para as igrejas., O clero reservou-se o privilégio de estudar, organizar e compor "a melhor música para servir ao Senhor". Só no Oriente os cristão continuaram cantando suas músicas tradicionais.

A Igreja Grega dominou o Oriente e depois influenciou muito fortemente a Igreja Latina., especialmente sua música. A Antífona (um repertório a ser cantado dentro da igreja) foi criada por Flávio e Diodoro. O canto antifonal teve origem nos cantos dos hebreus e foi implantado primeiro na Igreja Grega, por Crisóstomo, de Constantinopla, depois na Igreja Síria (da Abissínia e do Egito).

Foi em Alexandria que surgiu a mais antiga escola de canto litúrgico, feito com vocalizações, variações da melodia, as melismas Esse canto melismático espalhou-se rapidamente pela Igreja do Ocidente através da Himnodia (a Arte de Criar Hinos).

A Igreja Latina foi a última a implantar o canto antifonal. Dos antigos cantos hebreus fez surgir a Salmodia (da recitação dos Salmos), um canto monótono e silábico, sobre uma mesma nota, lembrando o canto das catacumbas. Tinha três partes: o solo do celebrante, a resposta em coro dos fiéis e o canto antgifonal com os homens de um lado do coro e mulheres e crianças do outro.

Logo, as danças foram proibidas. E o acompanhamento com instrumentos musicais. E tudo o que lembrasse os cantos gregos.

A música ainda encontrava resistência do clero, mas Santo Agostinho (354 - 430) escreveu favorecendo o canto nas igrejas durante o culto. E teorizou sobre o ritmo e as vocalizações.

Em 370 o Papa Ambrósio escolheu quatro modos gregos, sol, fá, mi, ré, inverteu-os (ré, mi, fá, sol) e chamou esse modo de Authentus, tornando-o obrigatório para a composição do canto litúrgico e dando origem aos cantos ambrosianos

Com o fim do Império Romano, em 476, começa a Idade Média. O canto cristão é totalmente submetido à disciplina eclesiástica. O órgão passa a ser considerado o instrumento dos instrumentos e o mais capaz de tocar música religiosa.

Boecio (470 - 525) escreve um Tratado de Música em cinco volumes e a ele se deve todo o conhecimento da teoria musical grega. Morreu decapitado.

O Papa Gregório Magno (540 - 604) dedica especial atenção ao canto eclesiástico. Funda, em Roma, a Schola Cantorum e reforma a música sacra. Junta o Antifonário aos Cantos Ambrosianos e daí surgem os Cantos Gregorianos ou cantochão que passa a ser o único canto litúrgico da Igreja Romana.

"Sem dúvida, escondem-se nas melodias do cantochão fragmentos dos hinos cantados nos templos gregos e dos salmos que acompanhavam o culto no Templo de Jerusalém", escreve Carpeaux. "Não podemos, porém, apreciar a proporção em que esses elementos entraram no cantochão. Tampouco nos ajuda, para tanto, o estudo das liturgias que precederam a reforma do canto eclesiástico pelo papa Gregório I das liturgias da Igreja oriental, da liturgia galicana, já desaparecida, da liturgia ambrosiana, que se canta até hoje na arquidiocese de Milão; e da liturgia visigótica ou mozárabe que, por privilégio especial, sobrevive em algumas igrejas da cidade de Toledo. A única música litúrgica católica que conta para o Ocidente é o coral gregoriano, a liturgia à qual Gregório I, o Grande, concedeu espécie de monopólio na igreja romana.'

No entanto, o coral gregoriano não é obra do grande Papa, já existia antes. E depois, durante os séculos, sofreu inúmeras modificações, "quase sempre para pior", segundo Carpeaux. A Ordem de São Bento é que cuidou de restabelecer os textos e o modo de cantar original e são essas melodias litúrgicas que se cantam em todos os conventos beneditinos, até hoje. É a mais antiga música ainda em uso.

Os gregos conheciam uma variedade de ritmos e o Canto Ambrosiano ainda os conservou, mas o Canto Gregoriano abandonou os últimos vestígios. O ritmo acabou se diluindo, fundindo-se com a palavra e as notas passaram a ter uma duração absolutamente igual Dessa monotonia rítmica foi que surgiu o Planus Cantus, o Canto Chão.

Em 650 o Concílio de Châlons proíbe que as mulheres cantem dentro das igrejas. Começam a ser usados dois tipos de escalas, com seis notas (hexacórdios): o duro ou natural e o doce ou brando. A igreja proíbe o intervalo que vai do F (fá) ao B (si) natural. Ele é considerado como diabolos in musica (o diabo na música). Por isso surge o B mollis (Bemol), na operação que ganha o nome de chorda mutabilis O B (si) natural acaba virando B (si) Quadratum, B Quadrado, Bequadro.

No século VIII a cristã Espanha é invadida pelos mouros, impulsionados pelos califas de Damasco. Primeiro é um emirato, depois um califato, a seguir um reino. A cidade de Córdoba fica conhecida como a Medina andaluza. Abulhasan Ali-bem-Nafi introduz a música árabe na Espanha.

A Igreja convive com os muçulmanos mas tenta resistir à música, à dança. Usa o teatro, popular e ateu, dramatizando a vida de Cristo e dos Santos para mostrar a beleza da vida dedicada ao amor a Deus, a morte, o diabo e o Inferno. Daí surgem os Mistérios. São dramas religiosos, principalmente sobre o Nascimento, Vida, Paixão, Morte e Ressurreição, representados nas igrejas, depois nos pátios, nas praças e para divertimento e ensinamento do povo.

A Igreja proíbe aos seus fiéis que aprendam a ler e escrever, "coisas do diabo", "frutos proibidos como o que Adão e Eva comeram". Mas nos mosteiros os frades cuidam de ler, estudar, escrever e a Igreja, com o Conhecimento, ganha o Poder.

Em 865 Focio começa a luta pela separação da Igreja de Constantinopla da Igreja Romana. Nas Cruzadas surgem as gestas, cantos guerreiros que contam os feitos dos heróis cristãos.

O teatro com música deixa de ser uma exclusividade da Igreja na França e depois na Holanda, mas a música que acompanha as peripécias ainda é a da igreja, especialmente os cantos gregorianos.

No século IX já existem cinco escolas de canto litúrgico:
· a bizantina domina o Oriente;
· a ambrosiana domina Milão e parte da Itália;
· a galicana é a francesa;
· a visigótica é a espanhola e a mozárabe do rito praticado pelos cristão sob dominação árabe;
· a gregoriana ou romana, que domina o Ocidente.

Os órgãos hidraulos, de origem egípcia de toda a Itália são destruídos durante as invasões bárbaras. A Igreja Bizantina manda órgãos pneumáticos, de origem grega, como um presente à Igreja Romana. O sucesso é imediato.

O grande teórico da música desse século é Baubulus, autor de Media Vita, um monge.

No século X são construídos órgãos com até 400 tubos, dois teclados (com 20 teclas cada um), executados por dois músicos a quatro mãos. Instrumentos que exigem 26 foles e 70 homens fazendo força para prover o ar.

Como a notação musical é feita com neumas (antigos símbolos egípocios, gregos e armênios e a notação não era exata em relação à altura e duração das notas, os teóricos começam a usar uma linha para distinguir a altura das notas (ainda desenhadas com neumas). As neumas acima da linha eram as notas mais altas e abaixo as mais baixas. Logo surge a pauta com duas linhas (uma roxa e a outra amarela).

Guido d'Arezzo coloca no início das linhas a letra F e C, o que significa que as neumas desenhadas ali são fá e dó. Ele introduz uma terceira linha, preta e depois trabalha com uma pauta de quatro linhas, o tetragrama. (O canto gregoriano ainda é anotado em neumas e em pautas de três ou quatro linhas.

D'Arezzo , um monge, é considerado o pai da música da Idade Média. Teórico, foi por volta do ano 1035 que deu nome às notas musicais, a partir do Hino a São João, de Pablo Diácono:

Ut queant laxis
Ressonare fibris
Mira gestorum
Famili tuorum
Solvi polluti
Labii reatum
Sancte Ioanes.

A sétima nota ficou sem nome até o século XVI e o Ut tornou-se Dó no século XVII.

Fonte: http://www.wooz.org.br/musicacristianismo.htm

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